| Poiésis - Literatura, Pensamento & Arte - nº 99 - Junho de 2004 |
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COMPORTAMENTO Washington
Araújo Estamos em meio ao primeiro ícone comportamental do século XXI: a geração Harry Potter. Com edições que alcançam os milhões de livros editados em quase uma centena de países e organizados em quatro seqüências de aventuras, a saga do pré-jovem Harry Potter vem encantando adolescentes e jovens, adultos e idosos, que interagem com a história e seus personagens através dos livros e do filme e mais uma infinidade de produtos que acompanham a agressiva campanha de marketing. Antes que nos vejamos totalmente seduzidos pelas forças da magia e... do grande capital, convém fazermos uma breve pausa para refletir sobre o que já é considerado o primeiro fenômeno cultural de massa deste primeiro século do terceiro milênio. O poder da emoção
– Um misto de medo de forças sobrenaturais e de virtudes
aparentemente colocadas em segundo plano como amizade e coragem vêm
à tona quando o assunto é Harry Potter. Tanto o livro quanto
o filme se torna um passatempo absorvente por despertar tanto no leitor
quanto no expectador a curiosidade para saber como irá terminar
a aventura. Aqui cabe uma primeira pergunta: Qual o preço a pagar
pela atenção do adolescente que tem o livro nas mãos?
Porque a leitura se torna fascinante quando reúne elementos mágicos,
oníricos, muitas vezes arquetípicos? O mundo dos trouxas – Este é o mundo que o universo de Harry Potter chama de o “mundo dos trouxas”. E é nisso que ele acerta em cheio: sabe nos definir a queima roupa com uma expressão que não pega pesado e que, no entanto, nos faz vestir a carapuça. Somos trouxas porque não conseguimos criar um mundo real mais belo e atraente que o mundo de Hogwarts, a imponente escola de bruxos para onde Harry e outros ícones adolescentes irão se graduar. Somos trouxas porque deixamos de lado aqueles bons momentos que poderíamos dedicar a nossos filhos, mantendo uma conversa agradável, bem-humorada como a boa porta aberta ao diálogo entre os que se amam, entre as gerações que ao se encontrar poderão também se desencontrar para sempre. Somos trouxas também
porque parecemos incapazes de transmitir a nossos filhos os valores que
sabemos ser indispensáveis para criar uma nova sociedade, como
a rejeição aos preconceitos e as discriminações
raciais, religiosas, sociais, o respeito aos direitos da mulher, a busca
constante da verdade esteja onde estiver. . |
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