Poiésis - Literatura, Pensamento & Arte - nº 97 - abril de 2004


DANÇA
Luiza Bandeira e os caminhos
da dança em Saquarema

Regina Mota
da Redação (regina@netterra.com.br)

 

A Companhia de Dança Luiza Bandeira está preparando para o próximo mês de junho o espetáculo “Acaso ou Descaso”, que será apresentado em Saquarema no Teatro Municipal Mário Lago, nos dias 18 e 25, com horários ainda a serem definidos. O evento contará com a participação do grupo especial da Companhia, composto por alunas com mais tempo de prática. Participarão ainda Jurandir Baptista e Ana Beatriz Couto, atores da Companhia Teatral de Saquarema, sob a direção de Claudio Juarez, que intercalarão as apresentações com as bailarinas.

Os atores encenarão a história de um casal, escrita por Ana Bandeira. Começando pelo relato da esposa de como conheceu o marido, passando por diversas partes do casamento como amor, paixão, sexo, briga, gravidez, raiva e separação.
De acordo com Luiza, esse será o primeiro dentre outros espetáculos que estão por vir. “A idéia é de apresentar no teatro da cidade e daqui partirmos para outros lugares”, disse ela.

“Os atores – continuou Luiza – irão expressar os sentimentos, que é uma coisa que só a gente dançando não consegue representar, por isso a importância da parceria com eles. Então o público terá a oportunidade de assistir o trabalho teatral e o de dança.”
Além dos atores já mencionados, participarão ainda Patrícia Beltrão, TaYane Silva, Luiza Bandeira e Orivaldo Carvalho.

SAQUAREMA: A CIDADE ESCOLHIDA

Luiza, bailarina há 25 anos, tendo se apresentado inclusive no Teatro Municipal do Rio e fora do país, procurava por uma cidade que não tivesse nada relacionado à dança para poder mostrar seu trabalho e colocar em prática uma idéia que já a acompanhava há muitos anos, a formação de uma Companhia de Dança.

“Vim com o objetivo de montar uma companhia, ensinar as meninas a dançarem, para mostrar que aqui na cidade também existe talento, tem potencial. Tanto é que no meu primeiro ano de espetáculo intitulado “Sentimentos”, em 2003, consegui realizá-lo com meninas que nunca tinham subido num palco. Foi ótimo, vários jornais fizeram matérias a respeito, foi muito bem comentado”, disse Luiza.

Com um curriculum bastante extenso, Luiza enumerou suas escolas: Ballet da Mabe, onde começou, se formando na Escola Estadual de Danças Maria Olenewa, participando ainda da Escola de Dança Jonhy Franklin, Ballet Dallal Aschar, Escola Lira Madeira, Jazz Carlota Portela e Liceu de Arte e Dança, todas escolas da cidade do Rio.

A idéia inicial era somente de montar o balé, mas, percebendo que as crianças tinham necessidade de fazer outras atividades, foram inseridos o sapateado e o jazz. Já para os adultos existem ainda as opções do balé moderno e o contemporâneo. A academia conta também com Danças Circulares (veja matéria na página 4) e Lambaeróbica, que são extra-curriculares.

A dança dá uma diretriz às vidas das crianças e dos adolescentes. A escola conta com alunos que vão de 3 a 18 anos de idade em turmas divididas de acordo com suas faixas etárias, facilitando assim no aprendizado, desenvolvimento e aprimoramento artístico e pessoal. “Se as regras forem seguidas com respeito, como deve ser, elas darão uma direção às alunas, porque elas aprendem a se portar, a falar uma outra língua que é o francês, pois a aula de balé clássico é toda nesse idioma. A pessoa também passa a conhecer seu corpo, a se portar dentro da sala de aula, a viver em conjunto com outras pessoas, porque quando ela dança não é sozinha, tem que ser em grupo, o que fortalece a prática da união. Fora o trabalho artístico, ela estará dançando, se expressando para outras pessoas. Tudo isso ajuda na formação do ser humano, torna-o mais seguro”, disse Luiza Bandeira.

Mesmo tendo chegado há pouco tempo em Saquarema, Luiza relata que não encontrou dificuldades no que tange a apoio aos seus espetáculos. Alguns eventos da Prefeitura já puderam contar com a sua participação, bem como do Corpo de Bombeiros, entre outros. “Os lojistas me apoiaram, deram dinheiro, material para o espetáculo, davam o que podiam. Poucos foram os que disseram a palavra ‘não’, só os que realmente não tinham condições. Não encontrei problemas de patrocínio, até apoio de vereador eu tive”, disse ela.

A dificuldade encontrada pela bailarina foi a de colocar a dança como ela é em outras cidades, com prioridade na educação das crianças. “Aqui os pais enfocam muito o trabalho escolar, não é errado, mas em outras cidades a dança é prioridade, como ir à escola. A dança não é só um lazer, muitas pessoas vivem dela, como eu. O trabalho de ensaio do bailarino também é muito importante, bem como o cuidado com o corpo, não ingerir bebida alcoólica, não fumar, essas conscientizações são necessárias”, comentou.

Luiza Bandeira atualmente faz aula com a ex-bailarina e coreógrafa do corpo de baile do Teatro Municipal e também do Balé Oficina, ambos do Rio de Janeiro, Rita Daumas, que está coreografando dois números do espetáculo "Acaso ou Descaso". "Tenho feito aulas com ela por se tratar de uma profissional das mais gabaritadas. Em meados de abril, Rita estará inaugurando sua companhia de dança em Saquarema. Desde já estamos desejando toda sorte do mundo a ela nessa nova empreitada", finalizou.