| Poiésis - Literatura, Pensamento & Arte - nº 97 - abril de 2004 |
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DANÇA Regina
Mota
A dança como terapia, para a cura de males do espírito e conseqüentemente do corpo. Com esse objetivo foi iniciado recentemente em Saquarema o curso de Danças Circulares Sagradas, ministrado pela focalizadora Valéria Tupinambá Señorans, com o apoio de Maria da Penha Antunes Costa. Após fazer vários cursos, em sua maioria no estado de São Paulo, que ensinavam essa nova técnica de se trabalhar não somente com o corpo, mas também com a espiritualidade das pessoas, Valéria resolveu montar o grupo, que é aberto a todas as faixas etárias, sem discriminação de qualquer natureza, seja social, racial, ou qualquer outra. “Conheci as Danças Circulares Sagradas num encontro Rosacruz, onde uma amiga passou umas danças da paz e da cura... senti como sendo algo encantador. Quando a pessoa começa a freqüentar, sente a energia, ela se encontra consigo mesma. Ali conseguimos dar e receber energias positivas, há uma interação enorme de grupo. O trabalho é isolado e de grupo, de amizade, de amor, é como uma verdadeira terapia”, disse Valéria. Para se ter uma idéia do quanto tem sido positivo e benéfico esse trabalho, escolas, faculdades, empresas e hospitais espalhados pelo país já o adotaram como uma maneira de prevenirem as pessoas contra as possíveis doenças às quais somos constantemente confrontados; o câncer é uma delas. O próprio Sebrae, em outras cidades, tem enviado seus funcionários às aulas, para aprenderem e posteriormente passarem aos funcionários das empresas com que lidam. Para Maria da Penha, a dança circular tem a mesma dimensão que a oração, que, segundo ela, pode ser vista de uma forma mais abrangente, abrangendo tudo aquilo que se faz com pureza de alma, com sentimento. “Quando dançamos, estamos fazendo uma oração em movimento, orando para o universo. Naquele momento não se tem preocupação com nada. Primeiro a pessoa não consegue pensar em outra coisa além do 1, 2, 3 e 4, que é a marcação da dança; com o decorrer das aulas, a gente se desliga e se integra inteiramente com o espírito da dança e nem vê a hora passar”, disse ela. Valéria enfatiza o fato de a pessoa não ter como absorver as explicações do que venha a ser as Danças Circulares Sagradas a não ser através da vivência. Por esse motivo a primeira aula é sempre gratuita aos interessados, para que eles tenham uma noção da grandiosidade dos movimentos, eliminando as barreiras das dificuldades. ORIGEM ESCOCESA
Assim as danças começaram a percorrer o mundo, trazidas ao Brasil por Sarah Mariot, vinda especificamente para morar no interior de São Paulo, em Nazareth Paulista. Meditativas, tradicionais, contemporâneas, esses são alguns tipos de Danças Circulares, podendo ser feitas com ou sem mãos dadas, em círculo fechado ou aberto, formando linhas, caracóis, espirais, e outros desenhos. Algumas frases de Santo Agostinho (distribuídas pela focalizadora Valéria aos seus alunos) expressam bem a realidade dessa nova alternativa: “A dança significa transformar o espaço, o tempo e o homem, que sempre corre perigo de se perder – ser ou somente cérebro, ou só vontade ou só sentimento... A dança exige o homem livre e aberto, vibrando na harmonia de todas as forças. Ó homem, ó mulher, aprendam a dançar, senão os anjos no céu não saberão o que fazer contigo.” |
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