| Poiésis - Literatura, Pensamento & Arte - nº 88 - julho de 2003 |
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| BETO
MAGALHÃES CONSTRUINDO E TOCANDO INSTRUMENTOS Beto Magalhães estendeu sua habilidade musical para além do ato de tocar. Nos últimos anos desenvolveu a rara arte de confeccionar e restaurar instrumentos musicais de madeira. Desde o aparentemente simples berimbau feito com bambu, arame e cabaça (considerado o precursor das harpas), passando por pequenas Kalimbas (de coco, cabaça ou madeira) até um sofisticado contrabaixo elétrico, esculpido à mão em madeira de lei. Nascido em 09 de setembro de 1950 em Ipiaú no sul da Bahia, teve o seu primeiro contato com a música aos 9 anos na banda da escola onde tocava trompete. Por volta de 1965, influenciado pelos Beatles, passou a tocar contrabaixo no conjunto “The Rebels”, além do nome, o repertório também era importado. As experiências musicais foram muitas. Dos progressivos “The Mood Blues”, “Emerson Lake and Palmer” e “Yes”, passando pelos guitarristas Eric Clapton e Jimmy Hendrix, até os jazzistas Gizzi Gillespy, Charles Mingus, Miles Davis e Roland Kirk. Beto tocou com Sidney Magal, Paulo Sergio, Martinho da Vila e Renato Terra, entre outros. Enveredou pelos caminhos do reggae, gênero musical que considera espiritual. “É como um mantra sagrado”, exalta. Após esse período de influência estrangeira – que por sinal envolveu toda a sua geração – começou a pesquisar os ritmos latinos, mais especificamente os do caribe, como merengue, salsa e rumba. Aos poucos, a influência brasileira através de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro foi se desenvolvendo. Depois de muito tocar — “Sempre fui um pesquisador de sons diferenciados”, revela — resolveu construir instrumentos. Essa nova profissão surgiu a partir de um curso que fez em Salvador, intitulado Oficina de Investigação Musical. “Aprendi a fazer kalimbas com Bira Reis, um luthier muito conhecido na Bahia, ele é responsável pela restauração de muitos instrumentos raros como o alaúde e a cítara”, explica Beto. Em 1988, já no Rio de Janeiro, trabalhou para a promotora cultural Cesarina Riso, uma pianista que encomendava vários instrumentos musicais com a finalidade de vender e presentear os participantes dos eventos produzidos na Vila Riso. Atualmente, Beto Magalhães tornou-se um especialista na confecção de Kalimbas, um instrumento percussivo-melódico de origem africana que tem seu corpo formado por uma cabaça (espécie de abóbora), coco ou madeira, perpassado por teclas de aço que são tocadas pela ponta dos dedos. Este instrumento produz um som suave e diz a lenda que os índios africanos usavam a kalimba para meditar. “Algumas tribos africanas, quando se sentiam tristes, subiam em cima de uma árvore para tocar Kalimba e meditar”. Em 2000, realizou um show “Kalimbê – african pop”, onde formou uma orquestra de kalimbas. Beto está preparando um outro evento nesses moldes. “Kalimbas não faltarão”, anuncia. Os interessados em
conhecer os instrumentos “Beto Magalhães”, entrem em
contato com “Baiano” (como é muito conhecido em Petrópolis,
onde fixou residência) pelo telefone (24) 9253 3352. |
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