| Poiésis - Literatura, Pensamento & Arte - nº 88 - julho de 2003 |
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| bauhaus
na frente do tempo dia 11 de abril de 1933: a bauhaus foi fechada pela polícia de berlim sob instruções do governo nazista. foi a primeira perseguição do partido contra uma instituição cultural. o objetivo era eliminar da alemanha toda arte decadente e bolchevista. foi também o fim da república de weimar. a desintegração da bauhaus coincidiu com a degradação de uma nação. a experiência bauhaus teve uma duração curta (1913 - 1933) mas de muito sucesso, até ser derrubada pela política nazista. Influenciou decisivamente o design no mundo. toda a comunicação visual presente em nosso ambiente - em conjuntos habitacionais até as páginas de jornais - possui alguma característica da bauhaus. até na pedagogia praticada em escolas e universidades a influência do movimento pode ser sentida. o questionamento sobre a construção social do espaço, levantado pela bauhaus, continua sendo debatido pelos administradores urbanos e pelos fabricantes de utensílios. alcançar o objeto verdadeiro - simples, direto e apropriado para a linha de montagem industrial - continua sendo o objetivo do design moderno. nas artes plásticas, sentimos a influência bauhaus em movimentos como o minimalismo e o pop. a linguagem visual na tela dos computadores - simples e direta - é resultado das idéias debatidas na bauhaus. o conceito desenho industrial foi criado pela escola. fato que levou ao surgimento da profissão do designer - o técnico para o projeto adaptado à máquina. os workshops da bauhaus serviam como laboratórios onde trabalhavam o design prático para os artigos de uso diário. produtos que podem ser reproduzidos em massa. os alunos da escola precisavam sentir todas as etapas da produção - e por isso tinham que saber manejar os instrumentos e os materiais como um artesão, para compreenderem a padronização e a simplificação. artesãos, arquitetos e designers trabalhavam lado a lado. o líder do movimento, walter gropius (1883-1969), compreendia que a arquitetura também deveria estar aliada ao material pré-fabricado e à padronização buscadas pelo design. o pré fabricado não limita as combinações na arquitetura, assim com as cores não limitam o número de possibilidades num quadro. a arquitetura deveria, em sua construçao de espaços, abrigar o utensílio industrial moderno. a repetição e a reprodução dos objetos, no ambiente, são uma das principais marcas da modernidade. os objetos, cada vez mais, comunicam com o usuário de forma simples e direta. isso acontece com automóveis, orelhões de telefone, latinhas de cerveja, escolas, sinais de trânsito e quase todos os objetos artificias de nosso dia-a-dia. a bauhaus acertou ao compreender a sociedade urbana, global e industrial. infelizmente a reprodução dos objetos não se deu com a qualidade estética defendida pela bauhaus e nem com a distribuição igualitária do uso, que também era um ideal da escola. no entanto, sua presença é marcante nos produtos com qualidade estética. o jornal da escola surgiu em 1926 na semana da inauguração do prédio novo de dessau. nesta época também iniciou a publicação de vários livros. eles argumentavam que as serifas pesavam as letras e que a caixa alta não fazia sentido (é bom lembrar que em alemão todos os substantivos iniciam com letra maiúscula) e o uso exclusivo da caixa baixa também significava uma economia no parque gráfico - já que apenas um alfabeto seria necessário. por isto este texto foi todo escrito em caixa baixa: uma homenagem à bauhaus. . |
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