| Poiésis - Literatura, Pensamento & Arte - nº 87 - junho de 2003 |
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| Bibliografia
Comentada de Carlos Drummond de Andrade Há vinte e três anos, em 1980, a José Olympio Editora publicou a Bibliografia comentada de Carlos Drummond de Andrade, magistral trabalho do escritor, poeta, crítico, tradutor, ensaísta e cronista Fernando Py. Trabalho de grande vulto e fôlego, apresentava uma aliança essencial para o sucesso da empreitada: profundo conhecimento da obra drummondiana e a tenacidade para a pesquisa. O autor nos conta, na apresentação do volume, que o escopo do trabalho previa, inicialmente, o mapeamento da obra de Drummond desde a sua aparição, em 1918, - numa edição escolar - até 1968, cobrindo, portanto, cinqüenta anos de atividades literárias do Poeta maior. A tarefa, tornar-se-ia, assim, inexeqüível, dado o impressionante volume de produção a dar conta. O poeta Gilberto Mendonça Telles sugeriu, então, que fosse feito um recorte, debruçando-se, pois, sobre a parte inicial, 1918-1930 – tarefa também árdua, pela escassez de fontes - da obra do itabirano. Fernando Py deu início à obra em 1965, tendo consumido quinze anos de exaustivas e gratificantes buscas e descobertas. O livro teve sua 1a edição rapidamente esgotada por estudantes de Letras e pesquisadores, tornando-se título raro em sebos e mãos de bibliófilos. Impunha-se, desta forma, uma 2a edição. Através da Fundação Casa de Rui Barbosa,
vem a lume a definitiva Bibliografia comentada de Carlos Drummond de Andrade
- (1918-1934) – revista e ampliada, estendida, portanto a mais quatro
anos (até a mudança do poeta para o Rio de Janeiro), apresentando,
como em sua 1ª edição, três partes: um índice
cronológico com 639 verbetes (a edição anterior contava
com 390); um notável capítulo levantando todos os pseudônimos
e afins (também abreviaturas e siglas) e um capítulo destinado
às edições (com Alguma poesia e já, nesta
edição, com Brejo das almas) . Encerra o volume, com chave
de ouro, como apêndice, dois detalhadíssimos índices,
um geral de títulos e outro, essencial, onomástico. No verbete de Poema das sete faces, por exemplo, sabe-se que foi publicado no dia de Natal de 1928, no Diário de Minas, assinado por um tal “Carlos Alberto”... Figura em diversos livros, antologias e manuais de literatura, de 1930 ( seu primeiro livro, Alguma poesia) a 1994. Em suas versões, destacamos a diversidade de sutis acepções, tais como em espanhol, Poema de las siete caras, Poema de siete caras ou Poema de siete faces; ou em inglês, Poem of the seven faces, literal, e o mais “gauche”, The seven-sided poem, em meio a dezenas de outras, em tantos idiomas. Há ainda as informações referentes a títulos que inspirou, como Mundo, mundo, vasto mundo, de Carlos Gomes; a música Poema de sete faces, de Calimério Soares Neto e as gravações em disco dos atores Juca de Oliveira e Paulo Autran. Curioso perceber que o próprio Drummond, em memorável registro para a velha gravadora Philips, em 1978, não incluiu o seu emblemático poema. Em Quadrilha, outro célebre poema, revela-nos Fernando Py que veio a público na lendária revista modernista Verde, de Cataguases, em novembro de 1927, firmada por “Carlos Drummond”. Entre as versões, compilam-se, em espanhol, tanto Cuadrilla quanto Contradanza, esta talvez mais no espírito do poema e, entre inúmeros outros idiomas, registra-se a versão para o latim clássico de Silva Bélkior “Bis gemina chorea”, da antologia Carmina drummondiana. Também como curiosidade, a nota final do pesquisador arguto, ao constatar que o poema seria anterior a 5 de fevereiro de 1925, data de uma carta de Manuel Bandeira a Drummond, já citando “Quadrilha”. No meio do caminho, o mais famoso poema do Poeta, ostenta , naturalmente, o mais copioso verbete, com registros de versões ainda mais excêntricas, como em dialeto afro-americano In da middl’ a’ da road e até mesmo em javanês: Ing tengah margi ( veja você, Lima Barreto!). Fernando Py abrilhanta ainda - além das músicas, gravações e obras inspiradas - com registros de paródias. No final do verbete, de número 160, há um conciso estudo sobre o poema. Outro capítulo do livro que salientamos, dada a importância do trabalho, é o de registro de pseudônimos e afins (abreviaturas e siglas), Parte II do livro, em que Fernando Py apura, com minúcia e dedicação, nada menos que 68 antropônimos, desde alguns muito familiares aos leitores do Poeta, tais como C.D.A., C.Drummond, Carlos, CÊDÊÁ, Cê Dê Á, Carlos Drummond d’Andrade, até aparições únicas como Mário Teófilo, Waldo Mendonça, Ruy Santana e o insólito Wimpl. Esclarecedora ainda é a explicação do autor para o famoso João Brandão, embora não conste, necessariamente, como pseudônimo de CDA . Ressaltamos, ainda, e sempre, na Parte III, referente
às edições, as informações de Fernando
Py acerca de obras que Drummond idealizou publicar, embora não
as tivesse concluído, no período enfocado, entre 1918 –
1934. São as coletâneas de poemas-em-prosa Teia de aranha
e Cabra-cega; os volumes de versos Poemas da triste alegria, Minha terra
tem palmeiras e Canções maliciosas e o surpreendente romance
com Lincoln de Souza, Rosa branca. |
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