| Poiésis - Literatura, Pensamento & Arte - nº 85 - abril de 2003 |
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| CONSTRUTIVISMO “É considerado imprudente para um artista plástico escrever, pois perde seu tempo; é considerado precipitado escrever sobre arte, pois perde status como artista.” (George Rickey) Quando se fala em
artes plásticas no Brasil, o Construtivismo é logo lembrado
como um protagonista da vanguarda brasileira. É bom frisar arte
construtiva em oposição a arte abstrata: “Porque nada
é mais concreto nem mais real do que uma linha, uma cor, uma superfície...
uma mulher, uma árvore, uma vaca são concretos no estado
natural, mas, no contexto da pintura, são abstratos, ilusórios,
vagos, especulativos – enquanto um plano é um plano, uma
linha é uma linha, nem mais nem menos,” (Theo Van Doesburg).
A abstração geométrica é representação
da natureza, ainda que alterada, enquanto que o construtivismo não
representa nada. No fim do século XIX , artistas isoladamente em regiões diferentes buscavam uma arte sem tema, constituídas de formas não conhecidas. Daí a imagem construtiva aparecer em países distintos e em grupos isolados, como nomes e ideologias diferentes. Malevitch e o SUPREMATISMO, por exemplo: “ Tentando desesperadamente livrar a arte do mundo representacional procurei refúgio na forma do quadrado”. Na Rússia surgiram outros movimentos ou escolas. Dois anos depois de iniciada as aventuras das vanguardas russas, Piet Mondrian, pintor holandês depois de passar pelo cubismo, se dedicou a construir uma pintura com traços horizontais e verticais, usando as cores primárias e mais o preto e o cinza e chamou sua arte de NEOPLASTICISMO. Mondrian funda com Theo Van Doesburg o grupo DE STIJL e publica uma revista com o mesmo nome para divulgar as idéias do grupo. Enquanto o construtivismo
e o suprematismo eram divulgados na Rússia, seus artistas e suas
idéias chegaram a Alemanha e foram recebidos na Bauhaus, escola
de arte, design e arquitetura; Mondrian, morando em Paris era uma referência
da chamada arte não figurativa. Doesburg, parceiro de Mondrian,
grande orador, viajava pela Europa divulgando as idéias do Neoplasticismo,
impressionando arquitetos como Lê Corbusier e Walter Gropius, diretor
da Bauhaus na Alemanha. Assim o construtivismo chegou a Paris , Londres,
Berlim, se tornou homogêneo, as semelhanças superaram as
diferenças, passou a designar pinturas e esculturas dos diversos
grupos e se expandiu absorvendo idéias do Suprematismo e do Neoplasticismo.
O triunfo da revolução russa acabou frustrando a esperada
“idade de ouro” para os artistas construtivistas. Termina
assim a fase russa do construtivismo. Os artistas foram obrigados a se
retratar ou abandonar o País, os que ficaram como Malevitch, morreram
na obscuridade. Os trabalhos dos
primeiros artistas construtivos nas suas diferentes origens estabeleceram
a base através da qual surgiram e se desenvolveram tendências
não figurativas, racionais, principalmente entre 1957 e 1967, quando
houve um surto de arte construtiva, na Europa, Estados Unidos, América
do Sul e Japão. A Arte Concreta ganhou novos rumos com as novas
tecnologias de construção e de transformação
da imagem, o isolamento da luz para ser empregada como material artístico,
princípios matemáticos aplicados à estética
construtiva, a exploração dos efeitos óticos, o uso
do movimento que levou à arte cinética. A utilização
de outros suportes que chegaram quase a abolir a diferença entre
pintura e escultura. O domínio de novas técnicas foi um
fator determinante nos desdobramentos da arte construtiva, que não
negou os princípios dos seus pioneiros. |
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