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MARCO
AUREH CANTA SYLVIA ORTHOF
Sylvio Adalberto
escritor, membro do conselho editorial de Poiésis
Apresentamos abaixo
a entrevista com o poeta, músico e compositor Marco Aureh, que
está desde o ano passado empenhado na divulgação
de seu CD “Cantando Sylvia Orthof”, fundamentado na obra da
escritora que dedicou grande parte de sua vida à criação
de peças teatrais voltadas para o público infantil. Petropolitano,
filho da cantora Maria Alice e sobrinho do compositor Jair Maia, Aureh
tem significativa atuação na cultura de Petrópolis,
tendo participado do conselho editorial do extinto jornal Culturarte,
na década de 90. Agora, além de sua carreira musical, também
passa a integrar o conselho do Poiésis.
Poiésis
- A escritora Sylvia Orthof criou um mundo maravilhoso de fantasia e viveu
impregnada dele. Você como parceiro principal, que vestiu as letras
criadas por ela, com uma música deliciosa, ela que se definia,
em suas próprias palavras, como uma “inventadeira de fantasiosas
doidices”, como é que você vê e situa a Sylvia
no contexto da literatura infantil nacional?
Marco Aureh - Você definiu bem a Sylvia. Ela começou
a escrever depois de certa idade, quarenta anos aproximadamente, e realmente
criou um mundo de fantasias impressionantes. A importância dela
na literatura infantil é ímpar. Trouxe uma enorme contribuição
no que diz respeito à liberdade, à espontaneidade. Até
então se escrevia para criança de uma forma meio ingênua.
Sylvia chegou quebrando esse padrão e, de uma forma inovadora,
começou utilizando uma linguagem despojada com muita liberdade
e senso de humor. Creio que essa tenha sido a principal colaboração
dela.
Poiésis
- Você acredita que o trabalho da Sylvia tenha divulgação
a altura de sua importância?
Marco Aureh - Acredito que não. Seu talento é reconhecido
pelas instituições literárias através de mais
de cem livros editados, mas a obra ainda não chegou a atingir a
dimensão que merece, realmente por falta de uma maior divulgação.
Poiésis
- Como foi fazer o CD Cantando Sylvia Orthof?
Marco Aureh - Esse CD é um trabalho antigo, que está
vindo a público agora. As músicas foram surgindo na medida
em que os espetáculos iam sendo produzidos e levados à cena;
assim, esse disco é o resultado desses espetáculos. Por
isso tem música que foi feita em 1988. Com exceção
da música Saudade, que foi o último poema que a Sylvia fez,
quando já estava no hospital. Foi a última música
que fiz, em 1997, logo que ela morreu. Fora isso, fui compondo as músicas
à medida que musicava as peças teatrais que eram dirigidas
pela própria Sylvia. Quando se está trabalhando na produção
de um determinado espetáculo a gente fica impregnado da essência
do tema, a gente vive, almoça, janta e dorme com o tema, assim
o resto é só deixar fluir.
Poiésis
- Quais os projetos e planos para divulgar esse trabalho?
Marco Aureh - Este ano vamos cair na estrada para divulgar esse trabalho
com o espetáculo intitulado Viagem Musical Brasileira, que batizamos
com a sigla V.M.B. É uma viagem de trem, aonde vamos parando por
várias estações e cada estação é
uma referência a um ritmo brasileiro. Estação Caruaru
(Recife) toca um frevo, estação Xapuri (região norte)
tocamos um boi-bumbá, e por aí vai. E tem também
o Projeto Escola, que é um trabalho voltado às crianças.
Esse projeto já está em pleno andamento. Ano passado fizemos
algumas escolas, entre setembro/outubro. A idéia é fazer
uma turnê pelo país, participando de eventos ligados à
literatura e à educação.
Poiésis
- Qual tipo de apoio você está tendo para divulgação
desse trabalho?
Marco Aureh - A produção do disco teve o apoio da Fundação
Cultural Petrópolis e mais as Editoras FTD, Nova Fronteira, Scipione
e Saraiva, com as quais já estamos negociando para uma segunda
edição. Agora, a divulgação e distribuição
são de caráter independente e o nosso produtor executivo
é o Paulo Roberto Lisbôa.
Poiésis
- Marco, dá para perceber o efeito que sua música junto
com as letras da Sylvia têm exercido sobre as platéias para
as quais você tem se apresentado?
Marco Aureh - É uma coisa maravilhosa. Primeiro porque é
um show de verdade, sem a preocupação com a idade da platéia.
É claro que tem brincadeiras, a parte lúdica. A platéia
sempre participa. Eles fazem a locomotiva, quando o trem está saindo
da estação. Cantam junto e de uma forma geral há
uma grande interação. É um show com muita luz, cenários,
figurinos... esses detalhes ajudam na integração. Eles embarcam
nessa viagem lúdica e nos contagiam com seu entusiasmo. Em princípio
achei que fosse um espetáculo para a faixa etária de seis
anos para cima. Mas me enganei. Com a experiência fomos colocando
crianças menores e elas participaram com muita intensidade. Está
sendo muito gratificante. Nunca tinha feito um show para crianças
pequenas com todo esse aparato de um espetáculo musical normal,
com a estrutura de um musical. O resultado é excelente.
Poiésis
- Quem mais participa do projeto de divulgação da obra de
Sylvia Orthof?
Marco Aureh - O Teatro do Livro Aberto, do Fernando Vianna, que agora
esta remontando O Cavalo Transparente, que ano passado esteve em cartaz
no Rio. Na ocasião a trilha sonora deste espetáculo foi
indicada para o prêmio Maria Clara Machado. Fui um dos fundadores
do Teatro do Livro Aberto. Eu, Sylvia, Marise Manhães e o Fernando
Vianna viajamos pelo Brasil apresentando espetáculos de Sylvia
Orthof. Numa dessas viagens acabei me casando. No Rio Grande do Sul, num
congresso de literatura conheci uma passofundense e estamos casados há
onze anos.
Poiésis
- Em que circunstâncias você conheceu a Sylvia Orthof?
Marco Aureh - Estávamos encenando História de Lenços
e Ventos na Sala Afonso Arinos, em Petrópolis, aí a Sylvia
e o Tato, marido dela, no meio de uma cena aberta, bateram palmas de pé,
assim, bastante empolgados com o espetáculo. Aí ela veio
falar com a gente no final, convidou o grupo para a montagem de uma peça
dela. O grupo era o Pessoal Aí, e que existe até hoje. E
me orgulho muito de ter sido um de seus fundadores. O espetáculo
era O Cavalo Transparente, a partir daí começamos a montar
os espetáculos da Sylvia. Depois do Cavalo, foi Ponto de Tecer
Poesia, Se As Coisas Fossem Mães, Zé Vagão da Roda
Fina, sem contar uns três ou quatro que foram musicados e não
chegaram a ser encenados. Ainda tem muita coisa inédita, por isso
temos idéia de fazer outro disco dentro da mesma temática.
A família da Sylvia tem sido muito bacana em relação
a esse projeto. Sobretudo a Claudia Orthof. O retorno afetivo tem sido
extraordinário. Com a primeira tiragem estamos divulgando o trabalho
nas escolas em inúmeras cidades do país, em congressos de
literatura, para a imprensa e uma boa parcela para a Fundação
e as Editoras. Fico muito feliz de estar lançando este trabalho
e agradeço muito ao Paulo Roberto Lisbôa, que foi amigo pessoal
da Sylvia e que acreditou no projeto.
[Para maiores
informações sobre a VMB, Viagem Musical Brasileira, visitar
os sites www.marcoaureh.cjb.net
ou www.cantandosylvia.hpg.com.br]
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