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CAMINHADA NO CENTRO CULTURAL DO RIO DE JANEIRO
Ana Maria
de Paiva Macedo Brandão e
Francisco Pontes de Miranda Ferreira
Formação
das cidades brasileiras
Apesar do traçado das cidades brasileiras parecerem desordenados,
era coerente com o sistema de vida da época. O objetivo principal
era a defesa do território. Até o século XVII a maioria
das construções obedecia um estilo primitivo – sapé,
folhas e barro batido. As primeiras cidades possuíam características
medievais árabes e européias e renascentistas. Ostentavam
um traçado informal mas não confuso, a tortuosidade das
ruas e pequenas passagens tinha um importante senso de defesa. No Brasil
colonial as pessoas geralmente andavam a pé, a cavalo, em cadeirinha
de arruar ou em rede transportada por escravos – fato que também
influiu na forma urbana. O traçado urbano também acompanhava
a topografia do local. As ruas e as construções seguiam
o relevo dos morros, beiravam o litoral, os rios e os terrenos alagados.
A igreja tinha uma
posição nobre, muitas vezes elevada no morro para ressaltar
o sagrado. Os fortes eram colocados em posições estratégicas
– nas entradas das baías e nos morros com vista geral, sempre
levando em consideração o alcance dos canhões.
Os portugueses foram
muito influenciados pela urbanização árabe devido
aos 700 anos de ocupação. O estilo árabe adaptava
as cidades ao clima quente e ao sentido de defesa. As ruelas e as construções
evitavam os raios diretos do sol e as ruas tinham o máximo de sombra.
A cidade muçulmana apresentava um traçado definido pelas
casas e não pelas ruas como nas cidades romanas. Os portugueses
também adaptaram largamente o azulejo mourisco e os aspectos de
higiene tropical. Esta é a principal razão da presença
da água corrente, tanques, chafarizes e bicas nas casas coloniais.
As construções tinham a característica árabe
de serem sólidas e simples pelo lado de fora.
Nas cidades medievais
européias predominavam os quarteirões quadrados e retangulares
e, também, ruas estreitas e tortuosas. As janelas e portas eram
escassas devido ao medo de ataques.
A influência
renascentista fica marcada pelas praças grandiosas e os mercados.
A cidade renascentista procurava o sentido de monumentalidade com a praça
principal – centro político, religioso e militar.
A Cidade do
Rio de Janeiro
A cidade do Rio de Janeiro foi criada em 1567 como núcleo fortificado
visando à defesa da baía de Guanabara. Após a primeira
invasão francesa o pequeno povoado foi transferido para um local
mais protegido em torno e no topo do morro do castelo. O espaço
foi duramente conquistado através de dissecamento de brejos e mangues.
A planície era extremamente arenosa e cheia de alagamentos, por
isso a cidade tinha suas principais construções nos morros.
Corredor Cultural
– Centro da cidade do Rio de Janeiro
Em 1984 foi aprovada a implantação do corredor cultural
visando recuperar a imagem do centro histórico do Rio de Janeiro,
com cerca de 1300 edificações, dos mais diversos estilos,
tendo papel relevante para o reforço da identidade local.
Museu Nacional
de Belas Artes
O Museu Nacional de Belas Artes está instalado, desde sua criação
em 1937, no edifício da antiga Escola Nacional de Belas Artes.
O edifício de estilo neoclássico é uma das marcas
da abertura da então Avenida Central, hoje Rio Branco. Suas galerias
abrigam obras de arte brasileira do século XVII ao século
XX e obras de autores estrangeiros entre pinturas, esculturas e desenhos.
Biblioteca
Nacional
Projeto de Francisco Marcelino de Souza Aguiar, foi inaugurado em 1910.
Em estilo neoclássico, com imponente escadaria até o primeiro
andar, é circundado de colunas corínticas. Seu acervo começou
a ser reunido no século XVIII. Nele destacam-se dois exemplares
da Bíblia de Mogúncia, impressa em 1462 pelos continuadores
de Gutenberg, a edição dos Lusíadas de 1572, a coleção
De Angelis e a coleção Teresa Cristina, doação
de D. Pedro II.
Theatro Municipal
Projeto e construção de A. Guilbert e Francisco de Oliveira
Passos. Sua inauguração deu-se em 14 de julho de 1909. As
pinturas principais são de Eliseu Visconti - teto e pano de boca
- e de Rodolfo Amoedo. Os mosaicos são de Henrique Bernardelli.
Esplanada
do Castelo
O morro do Castelo, então chamado do Descanso ou de São
Januário, foi escolhido para sediar a cidade por sua posição
geográfica estratégica defensiva. A existência de
lagoas e pântanos que ocupavam grande parte da região onde
hoje se localiza o centro da cidade obrigou os fundadores a procurar o
alto do morro do Castelo para reedificar a cidade. Entre os morros do
Castelo e de Santo Antônio havia a Lagoa da Carioca. A topografia
do morro do Castelo e entorno foi bastante modificada por aterros e desmontes
para abrir espaço para as edificações.
Passeio Público
Na região hoje ocupada pelo Passeio Público ficava a Lagoa
do Boqueirão, cujas águas se comunicavam com o mar. Foi
o primeiro local de lazer construído com este objetivo específico
no Rio de Janeiro, projetado por Mestre Valentim. A idéia era construir,
segundo o estilo europeu, um monumental jardim público com luxo
e entretenimento e que pudesse ser visto por quem chega na cidade pela
baía de Guanabara. Representava também o domínio
da civilização sobre a natureza. A obra iniciou-se em 1779,
mas o parque só foi inaugurado em 1785.
Rua do Ouvidor
A rua do Ouvidor foi a mais importante da cidade nos séculos XVIII
e XIX. Todos os grandes acontecimentos políticos, sociais e econômicos
se convergiam para esta rua. Sendo citada várias vezes por autores
importantes como Machado de Assis, José de Alencar e Olavo Bilac.
Em 1746 o Ouvidor – magistrado do Governo Colonial Português
- ganhou moradia na rua, dando seu nome a esta rua. A rua foi símbolo
principal de toda a introdução da “modernidade”
no país, sendo a primeira a ser calçada e iluminada. Foi
a rua onde se instalou (imitando Paris) as primeiras confeitarias e os
primeiros cafés e restaurantes. Era o principal ponto de encontro
das elites – econômica, política e intelectual. O primeiro
grande jornal do país – Jornal do Comércio –
também se instalou na rua do Ouvidor em 1827. Até a Segunda
Guerra era a rua mais elegante da moda no Rio – com influência
francesa, e onde surgiu a primeira loja de departamentos – a Raunier.
Depois da Guerra a rua do Ouvidor americanizou-se e os primeiros produtos
de plástico e eletrônicos eram ali comercializados.
Praça
Quinze de Novembro/Paço Imperial
Sítio histórico onde, em 1590, os padres Carmelitas instalaram
o seu convento no então extenso areal à beira mar. Em 1700,
o Governo do Rio de Janeiro adquire dos padres, casas térreas situadas
no lugar para a instalação dos armazéns reais que,
a partir de 1743 são reformados e ampliados, abrigando a Casa dos
Governadores. Em 1808 com a chegada da família real portuguesa,
a casa transforma-se em Paço Real e a praça que adquire
o nome de Largo do Paço passa a testemunhar importantes momentos
da história do Brasil: O Dia do Fico, as coroações
de D. Pedro I e de D. Pedro II, a Abolição da Escravatura
e, em 1889, o comunicado de deposição do imperador Pedro
II e a extradição de sua família e auxiliares. O
Largo do Paço abrigou de 1743 a 1889 o poder central. Passou a
chamar-se Praça Quinze de Novembro após a Proclamação
da República. Podem ser visitados na praça e seus arredores:
o Paço Imperial; o Convento do Carmo (século XVI), atual
Faculdade Cândido Mendes; o Chafariz da Pirâmide, obra de
Mestre Valentim (1789), para receber água do rio Carioca através
do Aqueduto da Carioca; Igreja de Nossa Senhora do Carmo, antiga catedral
(1761); Igreja da Ordem Terceira do Monte do Carmo (século XVIII);
Arco do Teles, último arco colonial da cidade, passagem sob o antigo
palacete dos Teles de Menezes é o acesso da Praça Quinze
para a Travessa do Comércio, onde se encontra um dos melhores conjuntos
de casario assobradado do Rio; Igreja da Lapa dos Mercadores; o Palácio
Tiradentes, atual Assembléia Legislativa; Igreja de São
José (1808). No centro da Praça Quinze está o Monumento
ao General Osório, obra de Rodolfo Bernardelli. O magnífico
palácio, Paço Imperial, foi construído em 1730 pelo
engenheiro José Fernandes Pinto a mando do governador Gomes Freire
de Andrade. Em março de 1808 passou a ser residência de D.
João VI que chegou no Rio fugindo das guerras napoleônicas.
A maior intervenção na Praça XV foi a construção
do elevado – Perimetral que liga o Aterro do Flamengo à Ponte
Rio-Niterói, causando um enorme impacto negativo na paisagem e
não resolvendo o problema crucial de circulação na
cidade. A mais recente obra de engenharia foi o mergulhão, que
alterou parcialmente a paisagem e acrescentou um problema ambiental de
poluição do ar.
Casa França
Brasil
Construído em 1820 para sediar a Alfândega do Rio de Janeiro,
o edifício se caracteriza pela severidade da fachada neoclássica,
amenizada pela graça da elevação alternada dos telhados,
o que deixa transparecer o traço elegante, considerada a grande
obra do arquiteto Granjean de Montigny.
Igreja de
Nossa Senhora da Candelária
Construída em fins do século XVI, é atribuída
a uma promessa feita a Nossa Senhora da Candelária, por Antônio
Martins Palma, comandante de um navio, colhido por uma forte tempestade.
Em 1775, um novo projeto do engenheiro-major Francisco Roscio deu a atual
forma do templo, inaugurado em 1811. A cúpula, toda em pedra de
lioz de Lisboa, representa a principal marca visual da igreja, construída
em estilo neoclássico. O revestimento interior é todo de
mármore com vitrais de cores vivas.
Bibliografia
Abreu, M. A A Evolução Urbana do Rio de Janeiro. IplanRio.
Rio de Janeiro, 1987.
Carvalho, A. M. F. M. Mestre Valentim.. Cosac e Naify Edições.
Rio de Janeiro, 1999
Cohen, A. Ouvidor, a rua do Rio. Editora Cohen, Rio de Janeiro, 2001.
Ferreira, F. P. M. a Imagem do Brasil Através dos Mapas, PUC-Rio,
1997
Macedo, J. M. Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro. Garnier, Rio de
Janeiro, 1991.
Nonato, J. A e Santos, N. M. (Org). Era uma vez o Morro do Castelo. IPHAN,
Rio de Janeiro, 2000.
Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. Paço Imperial, Rio de Janeiro,
1999.
Santos, P. Formação de cidades do Brasil Colonial. Editora
Colóquio de Estudos Luso Brasileiros. Coimbra, 1968.
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