Drogas, a nova realidade
LAST_UPDATED2 Escrito por Tadeu Assis / Equipe A.R.C.A. Qua, 21 de Abril de 2010 11:03
O que sustenta essas atividades é o hábito cultural permissivo e transgressor de usar as drogas lÃcitas ou ilÃcitas como estimulantes relaxantes ou alucinógenos em situações de estresse ou euforia, tipo festas, shows, comemorações etc.
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A solução, pois, seria tratar os doentes e desestimular educativamente o uso pelos consumidores consensuais. A liberação pura e simples iria transformar o Brasil num paraÃso mundial para usufruto destes e das gangues internacionais, trazendo o reboque todos os ilÃcitos associados, como prostituição, tráfico de armas, lavagem de dinheiro, pirataria, e até terrorismo, com o paÃs virando alvo de rejeição internacional como uma espécie de Irã fomentador do crime.
Imaginar que a produção e a comercialização das drogas poderiam ser realizadas sob rigoroso controle do Estado é ilusão que só acomete os que não conhecem o nosso paÃs. E mesmo que num passe de mágica nos transformássemos numa SuÃça idÃlica, a atividade clandestina e o contrabando vicejariam com a mesma força e os mesmos agentes do narcotráfico atual.
A droga sempre foi usada pela humanidade como "solução" para as angústias existenciais insuportáveis ou como fonte de prazer. Apelar para a abstenção consciente desse uso é ilusão. Proibir dá no que temos. Qual a solução?
"É adrenalina e, ao mesmo tempo, a destruição da vida". O relato anônimo de um jovem usuário de crack mostra o lado da dependência de uma droga que se alastrou pela Região dos Lagos. E, mesmo que os exemplos na prática sejam preocupantes, cada vez mais as mães encontram-se de mãos atadas ao verem seus filhos ingressarem por um caminho que nem sempre tem volta.
Sem escolher classe social, raça ou nÃvel de escolaridade, o uso do crack se alastra como uma epidemia e, consequentemente, acarreta problemas na segurança pública, estrutura familiar, saúde e colabora para as desigualdades sociais.
Mesmo diante dos problemas, é possÃvel acreditar na solução para pôr fim ao consumo do crack. O segredo está na sociedade: mantendo-se unida e criando redes de ações comunitárias. Temos que reunir moradores e representantes comunitários para que, juntos, possam dar continuidade à s ações contra a proliferação do crack no municÃpio. Onde serão discutidas ações para a criação de uma rede comunitária e iremos ampliar esta polÃtica junto com as escolas e também com a Igreja, que já desenvolve trabalhos com jovens nessa área.
Esclareço ainda que os trabalhos terão melhorias quando for realizado o mapeamento de usuários de crack. Mas, para isso, iremos contar com a ajuda de profissionais da saúde que conhecem os usuários e será um mapeamento quantitativo e não identificaremos nomes, para que os usuários do crack possam encontrar uma saÃda, "porque é difÃcil sair sozinho".
É preciso haver uma humanização no tratamento de jovens usuários de drogas perante a Justiça. Se não se formar uma visão humanista dos advogados, a estrutura não funcionará. Mas nem tudo deve ser levado à Justiça, enquanto que a sociedade também tem a sua responsabilidade.
Em relação ao tratamento dos jovens, o grande problema da região é a falta de lugar para tratar, precisa haver polÃticas para o combate ao tráfico e engajamento social, principalmente familiar, que atualmente é considerado um dos meios importantes para evitar o contato dos jovens com as drogas.
É preciso dar um outro foco ao crack, coletando depoimentos de usuários e ex-viciados na droga, deixando o discurso já estruturado de policiais e demais autoridades. Os depoimentos dos usuários são importantes para que se possa entender a complexidade dos problemas.
No entanto, os meios sociais podem também interferir para que um jovem abandone as drogas e encontre uma razão para viver, seja com base na fé ou na famÃlia.
O vigilante Berlamino, 28 anos, largou o vÃcio do crack aos 20 anos. A razão para encontrar a saÃda foi quando ele estava na prisão e, em uma das visitas da esposa - na época grávida de gêmeos - o fez refletir que a vida passaria a ter outro sentido. A partir daquele momento, ele lutou contra o vÃcio e também contra os fatores que o levaram à s drogas: o abandono da famÃlia. "A visita da minha esposa me sensibilizou muito. Ela sofreu demais com a minha dependência e hoje nossos filhos estão com sete anos. Não queria atingir minha famÃlia novamente por causa das drogas", conta. "É preciso ter esperança e aceitar ajuda para iniciar o caminho de volta à vida", afirmou ele.
Tadeu Assis é Técnico em Dependência QuÃmica
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