Crônica suja ou fixação por terrenos baldios
LAST_UPDATED2 Escrito por João Costa Ter, 03 de Agosto de 2010 10:20

Custa-me acreditar, mas é verdade. Há nas pessoas uma estranha fixação por terrenos baldios. Não podem ver um que começam a torná-lo depósito de lixo. Começa devagar. Vai um, leva seu saco de lixo. Em seguida vai outro. Quando damos conta, está ali, bem perto de nossa casa um depósito de lixo, com seu mau cheiro característico, com baratas correndo pra lá e pra cá, ratos desfilando por sobre o monte de lixo e até urubus sobrevoando a área.
O que mais me encuca é como as pessoas que moram próximas a esses pequenos lixões suportam o mau cheiro. E, inclusive, alimentam o depósito jogando ali seus lixos. Não entendo como não se incomodam com as baratas e os ratos que infestam o local. Tampouco se importam se sobre suas casas pousem urubus.
Esses lugares, transformados em depósito de lixo, com o tempo ficam com a sujeira encroada no solo, com aquele aspecto imundo, além do insuportável mau cheiro. Mesmo que o serviço de limpeza pública retire o lixo sistematicamente, os resíduos permanecem. Com a chuva, penetram o solo, perpetuando a imundície.
Comentei o fato com um amigo e ele me disse que a questão lixo em terreno baldio é cultural. Aliás, lixo na rua é cultural. Estranho dizermos isso: cultural. Mas vem dos nossos antepassados, que jogavam seus lixos pela janela, caíssem onde caíssem. E ali se acumulavam. Até os penicos ou urinóis eram esvaziados jogando-se seu conteúdo pela janela. Assim como também é herança dos nossos antepassados jogar lixo nos rios, nos valões. Por isso se diz que é uma questão cultural.
Mas, em nossos dias, não se pode mais relevar esse comportamento. É inaceitável e repugnante tal atitude. Lixo se joga no lixo. É uma questão cultural, no bom sentido, embalar corretamente seu lixo e deixá-lo em local seguro para ser recolhido pelo serviço de coleta de sua cidade. Não deixá-lo nas calçadas para serem espalhados pelos cães vira-latas, como também não mal embalados. É uma questão de bom comportamento preservar a limpeza de sua cidade, a começar por sua rua, por sua calçada.
Como exemplo de existência de terrenos baldios já infestados de lixo fétido em centro urbano, quero citar dois em Bacaxá, segundo distrito de Saquarema: um na Rua Heitor Bravo e outro no começo da rua Regociano de Oliveira, a rua do Brizolão. O que mais chama a atenção nesses dois locais e a proximidade com comércios ligados a alimentação, ou seja, um restaurante e uma lanchonete. O cheiro é insuportável, mas parece que os proprietários e os funcionários desses comércios não percebem, como também não percebem as pessoas que os freqüentam. Sem falar no aspecto físico da coisa. Vai entender o babado!
O da rua Heitor Bravo conta até com a presença de urubus. Eles sobrevoam a área solenemente, pousam no prédio ao lado e, tranquilamente, descem até o lixo para degustar seus “petiscos” ali, algumas vezes, fartamente encontrados. É uma cena estranha, por se tratar de um local em centro urbano e próximo a um restaurante.
Mas é cultural, fazer o que?










