Sexta Mai 18

A Natureza da Missão (João 20:21)

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Missão quer dizer atividade divina que emerge da própria natureza de Deus. O Deus vivo da Bíblia é um Deus que "envia"; eis aí, portanto, o significado da palavra. Ele enviou os seus profetas a Israel, e enviou seu filho ao mundo. Este por sua vez, enviou os apóstolos, os setenta e a igreja. Enviou o Espírito Santo à igreja e hoje o envia aos nossos corações. A missão da igreja resulta da missão de Deus, e nela tem de ser modelada (STOTT, John. A Serviço do Reino). Para entendermos a natureza da missão da igreja, temos de entender a natureza da missão de Cristo. Não que a igreja posso imitá-lo em tudo, pois ele veio para morrer pelos pecados do mundo. Contudo, há pelo menos dois aspectos de suma relevância sob os quais ele nos envia, assim como ele mesmo foi enviado.

1. Envia-nos ao mundo (João 17:18)
"Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo."

A missão de Jesus é um dos temas dominantes desse evangelho, sendo apresentada como modelo para seus seguidores. Ele próprio foi enviado ao mundo e no mundo viveu. Não baixou à terra como um visitante do espaço sideral, nem aqui chegou como estranho que para cá viesse trazendo consigo cultura igualmente estranha. O que fez foi assumir a nossa humanidade, a nossa carne e o nosso sangue. De fato, tornou-se um dos nossos e conosco experimentou a mesma fraqueza, o mesmo sofrimento, as mesmas tentações. Tomou sobre si os nossos pecados, morrendo a nossa própria morte.

Agora Deus nos envia "ao mundo" para nos identificarmos com outras pessoas, assim como ele se identificou conosco, e para que sejamos vulneráveis, assim como ele também o foi. "Assim como o Senhor assumiu nossa carne", diz o relatório da Cidade do México (1963), ‘assim também insta ele com sua igreja para que ela assuma o mundo secular. Isso é fácil de dizer e penosos de fazer." A nós, porém, nos parece mais natural gritar o evangelho para as pessoas, à distância, do que nos deixarmos envolver profundamente em suas vidas, preocupando-nos com os seus problemas de tal modo que permaneçam nossos, partilhando, enfim das suas próprias aflições.

2. Envia-nos para servir (Marcos 10:45)
"Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos".

Jesus veio para este mundo como servo - na verdade, o único servo - que sofreria e morreria por nossa redenção, como o profeta Isaías predisse com clareza (Isaías 53).

Cristo nos envia para servir, pois para isto veio ele também. Não veio com o mero intuito de buscar e salvar, nem aqui chegou simplesmente para pregar, todavia muito mais para servir. Jesus sabia que tinha de servir antes de ser servido, e suportar provações antes que lhe fosse outorgado aquele poder. Isso fez ele dizendo: "Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos" (Marcos 10:45). O que há de singular nisso tudo é que ele veio "dar a sua vida", veio morrer. Mas essa expiação suprema coroou toda uma vida de serviços. Em seu ministério público Jesus proclamava o reino de Deus e falava das suas implicações; saciava bocas famintas e lavava pés sujos; curou enfermos, confortou melancólicos, ressuscitou mortos, colocando-se altruisticamente a serviço dos outros.

Agora nos diz ele que, assim como o Pai o enviou ao mundo, assim também ele envia a nós. Nossa missão, como a dele, dever ser uma missão de serviço. Jesus despiu-se de "status" e assumiu a condição de servo (Filipenses 2:7). É o que devemos fazer. Ele nos fornece o modelo perfeito de como servir, e envia a sua igreja ao mundo para que ela seja uma igreja de servidores. Nós temos mostrado, em muitas de nossas realizações, mais tendência para senhor que para servo. Creio que a igreja na sua totalidade esteja na obrigação de obedecer à incumbência recebida do Senhor, que manda, por exemplo, que evangelho seja levado a todas as nações. Porém, penso ainda que não devemos considerá-la como a única instrução deixada pelo Salvador. Ele também citou Levítico 19:8: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo", chamando-o de o segundo mandamento (inferior em importância somente ao supremo mandamento, o qual enfatiza o amor a Deus acima de todas as coisas e que deve ser vivido desde o mais profundo da alma do homem) e o desenvolveu no Sermão do Monte. Jesus insistia em dizer que no vocabulário de Deus o próximo inclui também o nosso inimigo, e que amar é "mais que fazer o bem", é empenharmo-nos em favor dele (do inimigo), buscando o seu bem-estar. Que acham de retomarmos essa ênfase bíblica? Pense nisto com carinho!

Deus os abençoe.

Pastor Renato (1ª Igreja Evangélica Irmãos Menonitas do Jabaquara).

*Trechos desta mensagem foram tirados de uma palestra sobre A base Bíblica da Evangelização, proferida pelo doutor John R. W. Stott.

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