Crise da evolução e ecologia interior
LAST_UPDATED2 Escrito por Maurício Andrés Ribeiro Ter, 16 de Março de 2010 10:48
O momento de ruptura e mudança de eras que hoje vivemos se manifesta não apenas por meio das mudanças climáticas, mas, também, pela perda de biodiversidade; destruição de habitats naturais; redução das fontes de alimento; erosão e salinização dos solos, dependência dos combustíveis fósseis, esgotamento dos recursos hídricos; despejo de produtos químicos no ambiente (agrotóxicos, hormônios, componentes de plásticos, rejeitos de mineradoras, poluição do ar); aumento da população.
Trata-se de uma crise da evolução como as que ocorreram em outros momentos da história da Terra, nos quais várias espécies se extinguem para sempre, como mostra a figura. (Fonte: Peter Russell).
A última grande extinção há 65 milhões de anos, no final da era mesozóica, extinguiu os dinossauros e deu início à era cenozóica, a dos mamíferos. Estamos hoje no estágio terminal do cenozóico. A era ecológica é um cenário possível, a depender de como evoluam a consciência e a ação humanas.
Atualmente, desenvolvem-se inúmeras iniciativas no sentido de nos adaptarmos à crise ecológica e climática ou de reduzirmos os impactos negativos das ações humanas, a partir da aplicação das ciências naturais, das engenharias, da gestão de organizações públicas e privadas, da política econômica e dos mecanismos de mercado. Há esforços por parte de cientistas que procuram compreender o sistema da Terra; de pessoas que adotam a simplicidade voluntária e a austeridade feliz; de empresas que adotam a ecoeficiência e meios de produção limpos, reduzem desperdícios de materiais e de energia, inventam novo design de produtos e de processos; de governos que adotam políticas econômicas ecologizadas; de organizações da sociedade que lutam por outro mundo, de pensadores que vislumbram outras possibilidades para as sociedades e as civilizações. Todas essas são ações necessárias e bem vindas. Porém são insuficientes diante da magnitude da crise atual. À medida que se percebe o caráter profundo da atual crise da evolução - que inclui a crise ambiental e climática -, também se compreende que soluções tecnológicas, de gestão ou de engenharia, de incentivos ou penalizações econômicas, ainda que necessárias, são insuficientes para dar-lhes respostas adequadas.
Ao se enfrentar a atual crise da evolução são necessárias mutações e transformações evolutivas na ecologia interior ou do ser. Nosso ser se compõe de corpo (matéria), as emoções (vida), e a mente (ecologia mental, da consciência, cognitiva). Nós os alimentamos com o alimento físico, emocional, mental. O conteúdo e o modo como nos alimentamos, metabolizado, nos condiciona e influencia o modo como nos comportamos no mundo, nossas atitudes, valores, interesses, desejos, motivações. A importância da ecologia interior vai além do físico (a matéria; a geosfera, a hidrosfera, a pirosfera etc), do biológico (a vida, a biosfera) para o campo da informação e da consciência (a noosfera, a mentesfera, a infosfera, a pensamentosfera).
A ecologia interior demanda responder a algumas questões: Como alimento o corpo? Que sentimentos e emoções nutro e cultivo? Que pensamentos valorizo? Como alimento a mente? Como seleciono os conhecimentos e canais que abastecem a mente com informação? É possível ou desejável evoluir em direção ao homo ecologicus, uma espécie pós homo sapiens e que tenha uma relação menos destrutiva com a natureza?
Maurício Andrés Ribeiro é autor de Ecologizar e de Tesouros da Índia para a civilização sustentável - www.ecologizar.com.br.
O texto acima foi publicado originalmente no Portal do Meio Ambiente, da Agência Rebia de Notícias.



